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Sinceramente, quando eu penso que já vi de tudo, no que tange à crueldade e à covardia humanas, eu descubro, com tristeza, que nem cheguei perto disso. Tenho chegado à conclusão de que a raça humana é a pior besta da natureza. A par das falhas e defeitos que a maior parte dos seres humanos é detentora, traços que não nos diminuem necessariamente, embora nos individualizem, há aqueles entre nós que são a verdadeira escória, a pior espécie de lixo vivente.

Navegando pela internet eu me deparei com um vídeo dando conta de que um urso polar, na Rússia, foi alimentado com fogos de artifício. Enquanto os fogos explodiam no interior do pobre animal, os dementes que perpetram tal barbárie prosseguiam aos risos, gravando tudo, deliciando-se com a desgraça do bicho, ignorantes, contudo, de que pior desgraça sofreu o mundo quando eles vieram a ele.

Eu não tenho qualquer pudor em admitir que chorei ao ver a imagem e a agonia do urso. Não assisti ao vídeo na íntegra, contudo. Primeiro que não preciso dele para ficar mais sensibilizada ou mais revoltada do que já estou e, segundo, porque não quero dar audiência para o terror nascido de mentes doentias e perversas. Não sou idiota a ponto de pensar que esse urso tenha sido o único animal a sofrer pelas mãos humanas, mas meu pesar aumenta quando penso que está longe de ser o último e que foi uma morte tão vil, tão inútil, que coloca quem a perpetrou, ao meu sentir, na categoria de desperdício de vida.

Vendo a matéria, eu fiquei imaginando o que eu, tão longe de lá, poderia fazer em prol de um urso polar, agora já um corpo sem vida. A resposta óbvia foi que, de efetivo, nada, infelizmente. O máximo que eu posso fazer é levar a notícia adiante, com o propósito não de chocar as pessoas, mas de cientificá-las de que ainda há maldade demais no mundo e, talvez, se outras pessoas se sentirem tão mal como me senti, quem sabe cada uma delas, do seu jeito, dentro de suas possibilidades, possa evitar a dor de outros animais indefesos.

Não consigo tirar de minha mente a imagem do urso se contorcendo e o som das risadas ao fundo. Não gosto de imaginar que nossas crianças possam um dia achar isso normal ou que fiquem indiferentes a situações análogas. Seria monstruoso se tal abominável ato houvesse sido praticado contra uma pessoa, mas é igualmente tenebroso por ter ocorrido com um animal. Creio que, de fato, pessoas não são iguais a animais, muito embora, tenho certeza, possa causar certo espanto e repulsa a ciência de qual deles eu penso ser melhor, mais digno de piedade.

A crueldade, a vilania, a maldade e toda forma de violência não deveriam ter lugar na civilização. Os humanos deveriam ser os primeiros a zelar pelas demais vidas que habitam esse planeta e, sobretudo, por esse planeta, mas, ao contrário, parecem buscar, a cada dia, novas formas de corromper, de destruir e, mesmo diante de um mundo que se desfaz, parecem viver como se nenhum ato tivesse consequências e como se sempre houvesse para onde fugir.

Lamento profundamente pelas agruras que causamos aos nossos iguais e aos animais. Lamento ainda mais pertencer à espécie que se julga dona do mundo e ocupar o topo da evolução. O que mais lamento, no entanto, é não ter o poder de, verdadeiramente, fazer algo para mudar tudo isso…

Cinthya Nunes é advogada, professora universitária, Diretora de Integração na Faculdade Damásio e cronista. Publica artigos semanalmente em diversos jornais do interior de São Paulo e  colabora com Blogs de outros estados e de outros países. É Membro da Academia Linense de Letras.–cinthyanvs@gmail.com

1 reply to this post
  1. Meu Deus! Até onde a crueldade humana vai parar? Meu estomago revirou e senti nauseas ao ler a reportagem sobre o urso polar na Russia. Nem quis ver as imagens, nao consigo imaginar como pode existir pessoas assim com tal nivel de maldade.

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